terça-feira, 16 de setembro de 2014

Filhos: Precisamos nos preparar para criá-los

Estudar faz parte da vida. Quando somos pequenos nossos pais nos colocam na escola para aprendermos a ler, escrever e a nos relacionarmos.

No Brasil, a partir de 2016, será obrigatório o ingresso na escola a partir dos 4 anos de idade, a lei de 2009 alterou a idade mínima para início escolar que era a partir dos 6 anos.

Dos 4 aos 17 anos são treze anos de estudo obrigatórios a todos os cidadãos, segundo a constituição. Depois desse período, normalmente o adolescente opta por uma profissão e vai se preparar para ela fazendo faculdade ou curso técnico.

A partir de então serão mais alguns anos de estudo para se preparar para a vida profissional. Muitos ainda precisam de estágio, especialização, cursos preparatórios.

Ao ingressar no mercado de trabalho, para um profissional se manter atualizado hoje em dia, seja qual for sua profissão, é necessário continuar estudando e se preparando.

Bem, ai vem a pergunta: Se preciso estudar e me preparar tanto para exercer uma profissão, para fazer parte de uma sociedade por que não há preparo para ter um filho?

Os pais são o primeiro contato que as crianças têm com o mundo. A convivência desde a gestação e os cuidados que recebem em casa é que formarão suas impressões, suas verdades, as bases para a formação dessa criança. Dessa base virá o sucesso ou o fracasso de um ser que, no futuro, será parte da sociedade.

Talvez se investíssemos mais no preparo dos pais, não teríamos que investir tanto em corrigir os filhos.

Educar não é função da escola. A escola tem que ser escolhida com base nas crenças da família, não precisa ser a mais cara do bairro, nem a que tem maior estrutura, precisa ser aquela onde a criança encontrará a continuação dos saberes adquiridos em casa.

Assusto-me ao ver pais reclamando que mandaram os filhos para a escola e eles voltaram piores, ou quando ouço frases como está: “Mas na escola não te dão educação?” Não, não dão educação! Educação se recebe em casa.

Na escola a professora pode ensinar que jogar papel na rua não é correto, mas se o filho vê a mãe jogando qual ação ele tomará? Que figura é mais para o filho a professora ou a mãe?

Ninguém está aqui tirando a responsabilidade da escola, mas cabe a ela ser uma extensão da família, porém para saber se está exercendo o papel esperado pelos pais, esses precisam saber o que esperam da escola, acompanhar e monitorar os filhos.

Deveria haver junto ao pré-natal um curso preparatório para pais. Algumas maternidades de ponta oferecem cursos preparatórios para os primeiros cuidados com os filhos, já é um passo, mas são cursos pagos e limitam-se aos cuidados dos primeiros meses.

Deveria haver formação de pais. Desde a gestação, como cuidar do filho na barriga, quais os cuidados da mãe na gestação, os deveres dos pais. Como agir nos primeiros meses, na primeira infância. Como estimular o conhecimento, desenvolver habilidades, preparar a criança para ser construtora de um mundo melhor.

No mundo em que vivemos, com tanta tecnologia e recursos, há muita informação, quem tiver interesse e souber da importância de conhecer para educar, consegue encontrar as fontes, mas infelizmente vejo pais e mães com recursos, mas sem entender a importância de se instruir para exercer seu papel.

Infelizmente a grande maioria não tem conhecimento e nem condições para buscar essa formação. E continuamos ouvindo frases como: “Deus deu, Deus cria!” Criar é fácil, educar e preparar para a vida exige conhecimento.

Se você é papai ou mamãe, ou está prestes a se tornar, estude, se prepare, receba essa criança com o amor e o carinho que ela merece e a ajude a se torna uma cidadã para o mundo.


Ser inteligente é saber que qualquer papel que desempenhamos na vida exige preparo e que não há papel mais importante que o de pais. Aprendamos para sermos os melhores pais que pudermos.

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