terça-feira, 26 de agosto de 2014

Fases da Vida – Envelhecer

  Concluindo a série “Fases da Vida”, vamos tratar hoje sobre a última delas: o envelhecer.

              Envelhecer pode parecer uma coisa triste, solitária, o fim do ciclo da vida. Muitos relutam para não parecerem velhos. Atualmente existem diversos tratamentos para rejuvenescer. Muitas pessoas escondem a idade ou têm horror a ela.

             Mas fica a pergunta: O que é envelhecer? Quando tinha quinze anos achava velho alguém com trinta anos. Hoje na casa dos trinta me considero muito jovem e começando a vida...

          Outro dia ouvi um amigo dizer que um colega de cinquenta anos tinha falecido. Esse amigo, com a mesma idade, completou: “Quando eu tinha vinte anos achava que alguém de cinquenta podia morrer tranquilo, já era velho e tinha vivido tudo que podia, hoje penso como estava enganado”.

             Analisando esses dois momentos cheguei a uma conclusão: envelhecer é questão de ponto de vista. E alguém pode pensar: É ponto de vista ter cabelos brancos, aumento no número de doenças e diminuição da capacidade física? Respondo: sim.

         Nosso corpo envelhece dia a dia, disso não podemos fugir. Surgem remédios, melhoram as condições de vida, vive-se por mais tempo, mas a capacidade física irá diminuir com o passar dos anos. Mas isso não precisa nos tornar velhos.

          Segundo o dicionário Michaelis, envelhecer é Tornar velho; Tornar-se desusado ou inútil; Apagar-se.

       Não quero me tornar inútil ou me apagar. Adoro a frase de Vinícius de Moraes: “Que seja eterno enquanto dure”. Sejamos então eternos enquanto estivermos vivos!

     Prefiro encarar o envelhecimento como sendo a melhor fase da vida! Temos a experiência adquirida, aprendemos com nossos erros, com nossos acertos, com os erros e os acertos dos outros. Já fomos inocentes, imprudentes, inconsequentes, inseguros... Agora somos sábios!

         Podemos não conseguir correr como antes, mas sabemos que devagar se vai ao longe. Minha saudosa avó dizia: Quem corre cansa, quem anda alcança!

      Na maioria das vezes, temos tempo, experiência, situação financeira estável, porque não precisamos mais de tanto para sobreviver, para provar, para garantir...

      O que importa é chegar à velhice com o coração tranquilo, a mente sadia, os sonhos em dia. Viver bem todos os dias, seja na infância, na adolescência, na fase adulta, terminar cada dia com a sensação de missão cumprida!

       Como na letra de Epitáfio dos Titãs, não deixemos para pensar quando não estivermos mais aqui em como poderia ter sido...

“Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
[...]Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...”

Então aproveitemos mais, amemos mais, choremos mais, arrisquemos mais e compliquemos menos. Sejamos felizes hoje, que é para isso que fomos criados.

Ser inteligente é entender que o tempo passa, as habilidades físicas diminuem a capacidade de raciocínio também, mas que aprendemos com a vida a cada momento e que as experiências acumuladas ao longo dos anos são o tesouro que teremos para oferecer para a humanidade na nossa velhice.

Não importa a fase da vida em que você se encontra agora. Faça dela a melhor de todas, pois dessa forma seremos eternos... Mesmo quando não durarmos mais!


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Depressão, que doença é essa?

O suicídio cometido pelo ator Robbin Williams no dia 11 de agosto de 2014 trouxe muita incompreensão. Como pode uma pessoa tão bem sucedida acabar com a própria vida? E a resposta pode estar em uma única palavra: Depressão.

Longe de ser uma especialista no assunto, resolvi fazer um post trazendo as experiências que adquiri em muitos anos realizando trabalhos sociais, tendo convivido com  muitas pessoas em depressão ou lutando para não entrar em uma.

Segundo a ABRATA – Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos - a Depressão caracteriza-se por um estado em que o humor fica deprimido, melancólico, "para baixo". O indivíduo sente angústia, ansiedade, desânimo, falta de energia e, sobretudo, uma tristeza profunda. Às vezes, tédio e apatia sem fim. No mundo inteiro, a depressão atinge um número cada vez maior de pessoas, e dentre todos os distúrbios psiquiátricos, ela ocupa o terceiro lugar em prevalência. 

Segundo o Dr. Drauzio Varella, “Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite”.

O caso do ator Robbin Williams chama a atenção para o assunto que é sério e precisa da atenção de toda a sociedade. Muitos passam a vida lutando para ter dinheiro e fama, pois esperam encontrar a felicidade através desses ideais. O que leva então um homem inteligente, famoso, rico e com uma carreira promissora pela frente a acabar com a própria vida?

A depressão faz com que todos os valores, objetivos, sonhos, conquistas, tudo perca o sentido, pois a pessoa perde a vontade de viver, independente do que se tenha conquistado.

Acredito que a depressão está diretamente relacionada com a desilusão e com a falta de perspectiva. Muitas vezes tudo que dá sentido para a vida de uma pessoa está concentrado em um único fim (amor, trabalho, estudo, filhos, etc.). Todo esforço é voltado para essa finalidade, o objetivo passa a ser aquele, a dedicação, a busca pelo resultado... Quando aquela tábua de salvação deixa de existir, a vida perde o sentido e a doença se instaura.

                Já acompanhei casos de pessoas que davam a vida pelo emprego, dedicação total. O horário era sempre estendido, o esforço redobrado. Amigos, relações sociais, tudo associado ao trabalho.  Num momento, por qualquer razão, perdeu o emprego. O que fazer agora se todo o sentido da vida estava no ato de ir trabalhar todas as manhãs?

                Outras que largaram tudo pelo nascimento de um filho e esse passou a ser seu único foco na vida, até que o filho cresceu e saiu do país... Outras ainda que amaram desesperadamente alguém e após anos de relacionamento o mesmo acabou.

                A questão é como encontrar uma razão para continuar vivendo depois que a única razão se foi? Muitos não conseguem entender esse sofrimento, como no caso do famoso ator que terminou com a própria vida, como se deprimir se tem tudo que eu não tenho?

                Talvez uma forma de entender a questão seja aceitar que somos pessoas diferentes, com sonhos e objetivos diferenciados. O que para você é muito importante pode não ter valor nenhum para o outro. A forma que encontrei para tentar entender essa doença foi pensando não com os meus valores em relação a perda do outro, mas imaginando que a perda fosse uma das coisas muito importantes para mim.

                Acredito que todos nós, estamos propensos a essa doença e a melhor forma de preveni-la é encontrando várias razões para viver, mas lembrando-se sempre que temos que amar a nós mesmos antes de qualquer outra coisa.

                O site hypersience (http://hypescience.com/cura-depressao-curar-depressao/) trás cinco dicas para auxiliar no processo de cura da depressão, mas o objetivo de todas elas é encontrar propósito para continuar a caminhada.

                Vamos comparar nossos sonhos com uma grande fortuna acumulada ao longo de anos. Com essa grande quantia de dinheiro em mãos queremos atingir o objetivo de fazê-la multiplicar. Vamos ao mercado financeiro e descobrimos que uma empresa está em alta na bolsa e que as chances de crescimento são imensas, pensamos logo: vou colocar todo meu dinheiro nessas ações, assim farei meu dinheiro render muito. Dias depois, por alguma razão inesperada a empresa quebra. Para onde foi nosso rico dinheirinho? Acabou!

 Será que é fácil começar novamente do zero? Juntar novamente cada centavo perdido que levamos anos de trabalho para serem economizados? A situação é a mesma... São anos de sonhos, dedicação, espera para um resultado e num piscar de olhos tudo muda, infelizmente não é possível reprogramar o cérebro na mesma velocidade.

                Ser inteligente é saber que a depressão é uma doença e assim deve ser tratada. Como todas as doenças existem diversos recursos para a melhora ou a cura, mas o recurso mais importante esta dentro de nós é a vontade de querer melhorar e seguir um novo rumo. Não coloquemos nossa felicidade nas mãos do outro porque ela só depende de nós.

                

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Fases da vida - Adultecer


Depois dos mimos familiares da infância e das aventuras com os amigos na adolescência é chegada a hora de assumir as rédeas da própria vida, crescer e se tornar adulto.

                A evolução dos tempos tornou a fase adulta cheia de escolhas, o que tem seu lado bom, de poder experimentar muitas opções antes da escolha final, mas por outro lado, isso leva tempo, traz resultados nem sempre esperados e, muitas vezes, retarda o processo de amadurecimento.

                Com tantas opções, as decisões são cada vez mais adiadas, criou-se até uma nova palavra para definir esse adulto que não quer largar a adolescência apesar da idade: Adultecer.

                Adultecer é estar na idade adulta, mas manter-se com os hábitos dos adolescentes.

                Antes de decidir o caminho a seguir, experimenta-se. Experimentam-se várias profissões, empregos, namoradas, namorados, faculdades, opções sexuais... E quando as experiências não dão certo, volta-se para o porto seguro, a casa dos pais.

                Hoje se abandona a casa dos pais cada vez mais tarde. Alguns ficam lá até conseguirem construir uma vida como imaginaram ter, alcançar todos os bens materiais e concluir os estudos, encontrar e firmar-se na profissão, casar com pompa e circunstância e iniciar uma nova vida nos mesmos padrões adotados até então. Tudo isso leva tempo.

                Outros vão ficando por não terem encontrado um rumo ainda. Faz uma faculdade, não gosta, faz outra. Encontra o emprego dos sonhos, até acordar num pesadelo e trocam. Ficam com um parceiro ou parceira para ver se dá certo, mas enchem-se e trocam rapidamente, o tempo vai passando e a vida não toma um rumo.

                Nos dois casos os pais são o porto seguro. Segundo Içami Tiba no livro “Quem Ama Educa”, o lugar mais seguro para um navio ficar é no porto, mas essa não é a finalidade para a qual foi construído. Para um navio bem construído, o mundo é pequeno.

                Nesse novo modelo de sociedade, os pais (portos) torcem para que seus filhos (navios) não saiam de perto deles e acabam apoiando o fato deles ficarem ancorados. Esse apoio adia cada vez mais a decisão de navegar.

                Acredito que o aprendizado só vem com a ação. Ler, ouvir são meios de orientação, mas experiência só se adquire experimentando. Ser adulto, no meu ponto de vista, é assumir suas responsabilidades, é decidir seu presente e construir seu futuro através das escolhas realizadas e quanto antes assumirmos esse papel melhor.

                Quanto mais adiamos essa fase, mais tempo levamos para aprender com ela. Ninguém vai acertar sempre, vamos errar e aprender com nossos erros seja aos 20 ou aos 40 anos.

                É muito bom ter porto seguro, independente da idade, mas não dá para viver a nossa vida dependendo da vida dos nossos pais. Filhos são para o mundo assim como navios são para o mar.

                Ser adulto, por outro lado, não é se tornar uma pessoa séria, dura, rígida e cheia de problemas. Podemos adultecer no bom sentido. Fazermos nossas escolhas, aprendermos com elas, amadurecermos, mas manter no rosto o sorriso infantil, os sonhos e a alegria do adolescente. É preciso separar as coisas.

                Podemos ter um emprego, uma casa, uma família, contas para pagar, mas sermos alegres, joviais, mantermos a forma, continuar sonhando. Acredito que o medo de ser adulto está associado à perda desses valores.

                Ser inteligente é entender que ser adulto é amadurecer seus sentimentos, assumir as consequências de suas escolhas, lutar pelos seus objetivos, mas também sorrir para a vida e para as pessoas, largar tudo de vez em quando para cuidar de você e dos que você ama, sonhar e viver esse sonho todas as manhãs. A vida não precisa ficar cinza porque nós amadurecemos!


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Fases da vida – A Adolescência


                Continuando com o tema Fases da Vida, vamos abordar a adolescência e as alterações vividas por essa fase.

                A adolescência é o período de transição entre a infância e a fase adulta. A idade depende do ponto de vista. Há teses diferentes, leis e países, cada um abrangendo uma faixa etária, mas normalmente vai entre os 12 e os 21 anos.

                A adolescência é caracterizada desde sempre por ser uma fase de descobertas, rebeldia, lutas (com ou sem causa), busca de uma identidade pessoal, deixando para trás as ideias dos pais e adquirindo suas próprias.

                Depois de uma infância cercada de cuidados dos pais, muita proteção, excesso de mimos e vivendo muitas vezes em realidades virtuais trazidas pela tecnologia, os filhos crescem e surge a necessidade da busca pela liberdade.

                As dificuldades começam a surgir nesse momento. Como lidar com o trabalho, namoro, amigos diferentes? Em que “tribo” se enquadrar?

                Nesse momento, acredito que o investimento feito na infância virá à tona. O filho super protegido, que não aprendeu a ouvir não, que tinha os pais na palma da mão pelo sentimento de culpa por terem trabalhado muito tempo, ou que receberam tudo que os pais não tiveram e agora tinham condições de oferecer, podem ter maior dificuldade de adaptação ao mundo real.

Fora do mundo virtual, temos que ser fortes, defender nossos pontos de vistas baseados em fatos, lutar pelos nossos projetos por serem melhores, conquistar nosso espaço e o respeito dos outros pelo que somos e representamos.

Podemos seguir a profissão que os pais escolheram porque teremos meios de conseguir um emprego por indicação, mas se não formos eficientes para nos mantermos nele, a empresa nos trocará por outro capaz de fazer de forma melhor nosso trabalho. Bens materiais podem trazer muitas namoradas ou namorados, mas alguém que nos ame, que esteja disposto a dividir a vida, precisa mais que isso. Podemos herdar muito dinheiro, que nossos pais lutaram para conseguir, mas se não soubermos administrá-lo ele acabará.

Hoje vejo muitos adolescentes tentando se encontrar, mas sem estrutura para saber onde procurar. Se o emprego exigir mais do que está acostumado, pede as contas, pois os pais apoiarão e continuarão a sustentá-lo. O namorado ou a namorada desistiu do relacionamento, entram em depressão. Conhecidos viram amigos de infância e suas idéias tornam-se verdades absolutas.

Sinto falta de adolescentes conscientes, decididos, com ponto de vista, que saibam lidar com as adversidades da vida e lutarem por seus objetivos. Eles querem sua liberdade, desde que para isso não percam o conforto, o colo. Ao invés do respeito pelos pais e por tudo que fizeram, acham que foi pouco, que falta alguma coisa, que os pais têm obrigação de dar cada vez mais.

Os pais sentem-se culpados pela infelicidade dos filhos e continuam dando, sem limites e não percebem que os filhos não são mais crianças e precisam seguir seus próprios caminhos.

Ser inteligente é entender que a adolescência é uma fase de dificuldades, descobertas, rebeldia, mas que é nesse momento que crescemos e aprendemos a lidar com as adversidades, construindo nossas vidas através das nossas escolhas. Cabe aos pais e a sociedade mostrar que as escolhas tem consequências, e que sejam essas consequências boas ou más temos que arcar com elas.