terça-feira, 19 de agosto de 2014

Depressão, que doença é essa?

O suicídio cometido pelo ator Robbin Williams no dia 11 de agosto de 2014 trouxe muita incompreensão. Como pode uma pessoa tão bem sucedida acabar com a própria vida? E a resposta pode estar em uma única palavra: Depressão.

Longe de ser uma especialista no assunto, resolvi fazer um post trazendo as experiências que adquiri em muitos anos realizando trabalhos sociais, tendo convivido com  muitas pessoas em depressão ou lutando para não entrar em uma.

Segundo a ABRATA – Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos - a Depressão caracteriza-se por um estado em que o humor fica deprimido, melancólico, "para baixo". O indivíduo sente angústia, ansiedade, desânimo, falta de energia e, sobretudo, uma tristeza profunda. Às vezes, tédio e apatia sem fim. No mundo inteiro, a depressão atinge um número cada vez maior de pessoas, e dentre todos os distúrbios psiquiátricos, ela ocupa o terceiro lugar em prevalência. 

Segundo o Dr. Drauzio Varella, “Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite”.

O caso do ator Robbin Williams chama a atenção para o assunto que é sério e precisa da atenção de toda a sociedade. Muitos passam a vida lutando para ter dinheiro e fama, pois esperam encontrar a felicidade através desses ideais. O que leva então um homem inteligente, famoso, rico e com uma carreira promissora pela frente a acabar com a própria vida?

A depressão faz com que todos os valores, objetivos, sonhos, conquistas, tudo perca o sentido, pois a pessoa perde a vontade de viver, independente do que se tenha conquistado.

Acredito que a depressão está diretamente relacionada com a desilusão e com a falta de perspectiva. Muitas vezes tudo que dá sentido para a vida de uma pessoa está concentrado em um único fim (amor, trabalho, estudo, filhos, etc.). Todo esforço é voltado para essa finalidade, o objetivo passa a ser aquele, a dedicação, a busca pelo resultado... Quando aquela tábua de salvação deixa de existir, a vida perde o sentido e a doença se instaura.

                Já acompanhei casos de pessoas que davam a vida pelo emprego, dedicação total. O horário era sempre estendido, o esforço redobrado. Amigos, relações sociais, tudo associado ao trabalho.  Num momento, por qualquer razão, perdeu o emprego. O que fazer agora se todo o sentido da vida estava no ato de ir trabalhar todas as manhãs?

                Outras que largaram tudo pelo nascimento de um filho e esse passou a ser seu único foco na vida, até que o filho cresceu e saiu do país... Outras ainda que amaram desesperadamente alguém e após anos de relacionamento o mesmo acabou.

                A questão é como encontrar uma razão para continuar vivendo depois que a única razão se foi? Muitos não conseguem entender esse sofrimento, como no caso do famoso ator que terminou com a própria vida, como se deprimir se tem tudo que eu não tenho?

                Talvez uma forma de entender a questão seja aceitar que somos pessoas diferentes, com sonhos e objetivos diferenciados. O que para você é muito importante pode não ter valor nenhum para o outro. A forma que encontrei para tentar entender essa doença foi pensando não com os meus valores em relação a perda do outro, mas imaginando que a perda fosse uma das coisas muito importantes para mim.

                Acredito que todos nós, estamos propensos a essa doença e a melhor forma de preveni-la é encontrando várias razões para viver, mas lembrando-se sempre que temos que amar a nós mesmos antes de qualquer outra coisa.

                O site hypersience (http://hypescience.com/cura-depressao-curar-depressao/) trás cinco dicas para auxiliar no processo de cura da depressão, mas o objetivo de todas elas é encontrar propósito para continuar a caminhada.

                Vamos comparar nossos sonhos com uma grande fortuna acumulada ao longo de anos. Com essa grande quantia de dinheiro em mãos queremos atingir o objetivo de fazê-la multiplicar. Vamos ao mercado financeiro e descobrimos que uma empresa está em alta na bolsa e que as chances de crescimento são imensas, pensamos logo: vou colocar todo meu dinheiro nessas ações, assim farei meu dinheiro render muito. Dias depois, por alguma razão inesperada a empresa quebra. Para onde foi nosso rico dinheirinho? Acabou!

 Será que é fácil começar novamente do zero? Juntar novamente cada centavo perdido que levamos anos de trabalho para serem economizados? A situação é a mesma... São anos de sonhos, dedicação, espera para um resultado e num piscar de olhos tudo muda, infelizmente não é possível reprogramar o cérebro na mesma velocidade.

                Ser inteligente é saber que a depressão é uma doença e assim deve ser tratada. Como todas as doenças existem diversos recursos para a melhora ou a cura, mas o recurso mais importante esta dentro de nós é a vontade de querer melhorar e seguir um novo rumo. Não coloquemos nossa felicidade nas mãos do outro porque ela só depende de nós.

                

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