No ano passado fizeram um
trabalho na escola do meu filho que me chamou a atenção para algo que eu nunca
tinha observado: a propaganda voltada para o público infantil. Foi nesse
momento que conheci o Instituto Alana e assisti a um vídeo que eles fizeram sobre
esse tema.
A
partir desse momento comecei a prestar atenção em fatos que pareciam corriqueiros
e percebi quanto meu filho, de cinco anos, recebe essa influência da
publicidade. Comecei então a tentar separar o joio do trigo e a usar a favor da
educação dele o que vinha de bom e a filtrar as influências negativas.
Vou
dar um exemplo: Um dia estava fazendo janta na cozinha e meu filho veio na
minha direção e disse que queria jantar fora, num restaurante japonês. Achei estranho,
pois apesar de gostar dessa culinária, consumimos pouco e nunca tinha ido com
ele em um restaurante. Por outro lado adorei o fato de ele querer experimentar
a culinária japonesa. Disse a ele que assim que desse iríamos almoçar num
restaurante japonês e, para minha surpresa ele respondeu: mas tem que ser no Gendai, porque comida japonesa de verdade é no Gendai. Nem preciso dizer que
ele viu a propaganda no intervalo do desenho que estava assistindo e saiu repetindo.
Na
semana seguinte o levamos a um restaurante japonês, o que ele havia escolhido.
Mostramos os pratos, o deixamos ele escolher. Meu marido o ensinou a usar o
hashi, ele adorou tudo, depois explicamos para ele que aquele era apenas um
restaurante que vendia comida japonesa, que existiam diversas opções, tão boas quanto
ou até melhores que ele.
Numa
outra oportunidade o levei para almoçar comigo num outro restaurante japonês,
que ele adorou. Experimentou outros pratos e se divertiu muito, compreendeu o
que eu havia explicado.
Essa
foi apenas uma experiência que tivemos com relação a publicidade voltada para ele.
Diversas vezes marcas, lugares ou situações fora do seu cotidiano foram citados
como referência as propagandas assistidas.
Há
atualmente um consumismo muito grande por parte das pessoas de modo geral.
Algumas pessoas consomem por puro prazer, outras para serem aceitas por um
grupo, outras ainda para mostrarem que tem condições. Muitas vezes ao comprar
algo o que menos importa é se estamos precisando. Essa atitude vivenciada por
parte das crianças acaba sendo incorporada por elas, mudando muitas vezes o
rumo da infância.
Outro
dia eu estava numa loja escolhendo um presente para um aniversário e me deparei
com uma situação que me chamou a atenção: Um pai estava com dois filhos, um
menino de uns dois anos e uma menina que deveria ter uns seis anos. Ele queria
que ela escolhesse um presente que ele ia dar para ela. Ela escolheu uma boneca,
ele falava calmamente para ela: “Filha, você já tem várias bonecas iguais a
essa e não brinca com nenhuma delas, ela vai para o baú junto com as outras. Eu
quero te dar um presente que você goste e fique feliz de receber”. Ela insistia
que ela queria a boneca, porque uma amiga dela tinha aquela boneca e ela tinha
muitas, mas não tinha aquela que a amiga tinha e ela ia ficar feliz com a
boneca.
Senti
naquele diálogo um pai querendo deixar a filha feliz com um presente, mas para
ela o gesto do pai não tinha importância, ela queria a boneca porque a amiga
tinha e ela não. A importância para ela era ter o mesmo que a amiga. Confesso
que senti um vazio.
Aquele
pai provavelmente teria ficado muito feliz com um brinquedo na infância dele,
onde se ganhava brinquedos uma vez no ano e se sonhava muito com eles. Mas sua
filha não entendia o seu sentimento, para ela era apenas mais uma posse, mostrar
que também podia ter ser igual à amiga, disputar com ela... Os conceitos
mudaram.
Isso
chamou novamente minha atenção, que exemplo estamos dando para nossos filhos?
Que valores estamos passando para eles? Onde mora o limite? É um caso para se
pensar.
A
infância está sendo invadida, estamos perdendo conceitos importantes, mudando o
rumo das vidas das nossas crianças. Não deve ser preocupação de uma criança o
nome da loja onde os pais vão comprar o brinquedo, assim como o shopping não
pode ser melhor para ela do que o parque. Uma menina não pode achar um sapato
mais importante que uma boneca e nem fazer a unha mais importante que brincar
na areia.
Acredito
que o comportamento dos pais, aliado com as propagandas desenfreadas vem
contribuindo muito para que a infância perca o que tem melhor: a inocência.
Ser
inteligente é não permitir que a publicidade invada nossos lares e comprometa a
infância dos nossos filhos, fazendo nossa parte, esclarecendo as dúvidas,
mostrando outras opções e dando o exemplo com nossas atitudes.
Para
quem quiser conhecer mais segue o link: http://criancaeconsumo.org.br/.
Assistam ao vídeo “Criança a alma do negócio”.
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